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Memória mais cara pressiona preços de PCs, placas de vídeo e consoles em 2026

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Montar ou atualizar um PC gamer ficou mais caro em 2026, e a pressão não vem apenas das placas de vídeo. O encarecimento de memórias DRAM, GDDR e chips NAND já atinge computadores, consoles, notebooks, smartphones e dispositivos portáteis.

O principal fator é a expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial. Fabricantes de memória direcionaram investimentos e capacidade para produtos mais rentáveis, como a memória de alta largura de banda (HBM) usada em aceleradores de IA. Com menos margem para ampliar rapidamente a oferta de componentes convencionais, os custos subiram em praticamente toda a cadeia.

O efeito já aparece em reajustes confirmados de consoles e em aumentos relatados no mercado de placas de vídeo. No Brasil, ainda não há uma política pública de reajuste anunciada por Nvidia, AMD ou Intel, mas a dependência de componentes importados e a variação do dólar podem ampliar o impacto no varejo.

Por que a inteligência artificial afeta o preço do PC gamer?

A HBM é usada em aceleradores de data center por oferecer largura de banda muito superior à memória convencional. Sua fabricação também exige mais área de wafer por bit e etapas avançadas de empilhamento e encapsulamento. Na prática, ampliar a produção desse tipo de memória compete por recursos industriais que poderiam atender produtos como DDR5 e GDDR.

Samsung, SK hynix e Micron continuam entre as principais fornecedoras globais de DRAM e HBM. Entretanto, o mercado não está completamente parado: empresas chinesas, incluindo a CXMT, ganharam participação em segmentos de DRAM. Por isso, não é seguro tratar a antiga concentração superior a 95% como um número atual sem delimitar o período e a metodologia.

A IDC estima que a oferta de DRAM crescerá 16% em 2026, enquanto a de NAND avançará 17%. Embora sejam altas relevantes, ambas permanecem abaixo do ritmo histórico e podem não acompanhar a demanda combinada de data centers, PCs, celulares e outros eletrônicos.

Placas de vídeo ficaram mais caras, mas os reajustes não são uniformes

Em julho, a TrendForce repercutiu relatos da cadeia industrial de que a AMD teria elevado em aproximadamente 10% o preço dos kits que combinam GPU e memória GDDR fornecidos a fabricantes parceiras. A informação foi atribuída a fontes do setor e não equivale a um anúncio público da AMD para consumidores.

Além disso, modelos específicos da Radeon RX 9070 XT vendidos pela Asus nos Estados Unidos registraram aumentos de até 17,5% em abril. Esse percentual não representa toda a linha Radeon, nem pode ser aplicado automaticamente a outros fabricantes ou países. Preço final também depende de estoque, margem do lojista, disponibilidade e promoções.

O movimento tampouco afeta todas as placas da mesma forma. Levantamentos internacionais mostram variações por modelo e região, com algumas GPUs próximas do preço sugerido e outras muito acima dele. Assim, dizer que todas as placas subiram 10% seria incorreto.

Switch 2, PS5 e Steam Deck já receberam reajustes

Nos consoles e portáteis, os aumentos são oficiais. A Nintendo elevou o preço sugerido do Switch 2 nos Estados Unidos de US$ 449,99 para US$ 499,99 em 1º de setembro de 2026. No comunicado, a companhia citou mudanças nas condições de mercado esperadas para o médio e o longo prazo, sem atribuir todo o reajuste exclusivamente à memória.

A Sony também anunciou novos valores internacionais para a linha PlayStation. Desde 2 de abril, o PS5 com leitor custa US$ 649,99 nos Estados Unidos, enquanto a edição digital passou a US$ 599,99 e o PS5 Pro a US$ 899,99. A fabricante mencionou pressões contínuas no cenário econômico global.

A Valve foi mais direta ao explicar o aumento do Steam Deck OLED. O modelo de 512 GB subiu de US$ 549 para US$ 789, enquanto a versão de 1 TB avançou de US$ 649 para US$ 949. A empresa relacionou os novos valores ao custo de memória, armazenamento e desafios logísticos globais. Isso representa altas aproximadas de 44% e 46%, respectivamente — não exatamente 50%.

IDC e Gartner projetam novos impactos sobre os PCs

As consultorias concordam sobre a pressão, mas usam cenários e indicadores diferentes. A IDC trabalha com uma faixa: no cenário moderado, o preço médio de venda dos PCs pode aumentar de 4% a 6% em 2026; no pessimista, de 6% a 8%.

Já a Gartner projetou em fevereiro uma alta acumulada de 130% nos preços combinados de DRAM e SSD até o fim de 2026, em comparação com 2025. Segundo a consultoria, isso pode elevar o preço dos PCs em 17% e reduzir as remessas globais em 10,4% neste ano.

Os números não são contraditórios: a IDC calcula cenários para o preço médio de venda, enquanto a Gartner estima o efeito de uma escalada mais severa no custo de memória e armazenamento. Também é importante não interpretar os 130% como aumento direto no valor do computador completo.

O que muda para quem compra hardware no Brasil?

Até agora, Nvidia, AMD e Intel não anunciaram reajustes específicos para placas de vídeo no mercado brasileiro relacionados à crise das memórias. Ainda assim, o país importa grande parte dos componentes ou produtos acabados, o que adiciona câmbio, impostos, frete e custos de distribuição à formação do preço.

Em 2 de setembro, o dólar comercial operava próximo de R$ 5,15. Essa referência muda diariamente e não deve ser usada como conversão direta do preço norte-americano: produtos vendidos no Brasil incluem outros custos e podem partir de estoques negociados anteriormente.

Uma consulta ao varejo nacional também mostra grande dispersão. A RX 9070 XT, por exemplo, aparece em ofertas por volta de R$ 5.500, mas modelos, vendedores e condições de pagamento variam. Por isso, um único preço não representa todo o mercado e pode desaparecer rapidamente.

Vale a pena comprar agora ou esperar?

Não existe uma resposta universal. Quem depende do computador para trabalhar ou já encontrou o modelo adequado em uma promoção real pode reduzir o risco de pagar mais ao comparar o histórico de preços e comprar de uma loja confiável. Para upgrades opcionais, ainda vale acompanhar várias lojas, alertas e períodos promocionais.

Também é importante evitar compras motivadas apenas pelo medo. A memória é um componente relevante, mas não é o único fator que determina o preço de uma GPU ou de um PC. Estoques antigos, lançamentos, concorrência e câmbio podem gerar quedas temporárias mesmo durante uma tendência global de alta.

As projeções da IDC e da Gartner não indicam alívio rápido em 2026. Para o consumidor brasileiro, a estratégia mais segura é definir o desempenho necessário, estabelecer um teto de orçamento e acompanhar o preço do modelo exato — sem presumir que toda oferta atual é barata ou que todo componente ficará automaticamente mais caro na mesma proporção.

Fontes: IDC, Gartner, Nintendo, PlayStation Blog, Valve/Steam, TrendForce, Counterpoint Research e consultas ao varejo brasileiro realizadas em 2 de setembro de 2026.

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