quinta-feira, janeiro 15, 2026
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Golpe com memórias DDR5 falsas se espalha e atinge até compradores da Amazon

A forte valorização das memórias RAM e de componentes de armazenamento, impulsionada pela expansão acelerada de data centers voltados à inteligência artificial, começa a gerar efeitos colaterais preocupantes no varejo. Além dos preços cada vez mais elevados, consumidores agora relatam o surgimento de golpes envolvendo a venda de kits de memória DDR5 falsificados, inclusive em grandes marketplaces considerados confiáveis, como a Amazon.

Segundo relatos recentes, compradores que acreditavam estar adquirindo módulos DDR5 de última geração receberam, na prática, memórias antigas disfarçadas. O esquema envolve o uso de dissipadores de calor falsos e etiquetas reaproveitadas para “maquiar” módulos DDR4 — ou até padrões ainda mais antigos — explorando a alta demanda e a falta de estoque do padrão mais moderno.

Os primeiros alertas surgiram em comunidades online como o Reddit, onde usuários compartilharam imagens e relatos detalhando o problema. O que mais chama atenção é o fato de alguns casos envolverem produtos anunciados como “vendidos e enviados” pela própria Amazon, levantando questionamentos sobre possíveis falhas no controle de devoluções e na cadeia logística.

Em um dos episódios mais comentados, um consumidor adquiriu um kit Corsair Vengeance DDR5. Durante a montagem do computador, percebeu que os módulos não encaixavam corretamente na placa-mãe. Ao analisar o conector, ficou claro que o entalhe não correspondia ao padrão DDR5. Ao remover o dissipador, o comprador encontrou módulos antigos, incompatíveis com o hardware atual, mas escondidos sob a carcaça. A marca envolvida no caso foi a Corsair. Apesar de conseguir o reembolso, o prejuízo indireto permaneceu, já que a recompra ocorreu em um momento de preços ainda mais altos.

Outro caso, registrado na Europa, indica que o problema pode se espalhar. Um consumidor comprou múltiplos kits DDR5 de alto desempenho e, ao abrir uma das caixas, encontrou pentes antigos acompanhados de placas metálicas internas, usadas apenas para simular o peso do produto original. Externamente, a embalagem parecia intacta, o que dificulta a identificação da fraude antes da abertura.

Especialistas apontam que o método mais provável por trás desses golpes é a chamada “fraude por devolução”. Nesse cenário, alguém compra o produto legítimo, substitui o conteúdo por peças antigas e devolve a caixa cuidadosamente lacrada. Se o item retorna ao estoque sem uma inspeção rigorosa, pode acabar sendo revendido como novo.

Diante da repercussão, a ADATA — uma das fabricantes citadas em relatos semelhantes — orientou consumidores a priorizarem compras feitas apenas por parceiros autorizados. A empresa também reforçou que mantém ferramentas de verificação de autenticidade, além de monitorar canais de venda não oficiais e avaliar melhorias na segurança das embalagens.

Enquanto isso, analistas recomendam cautela redobrada. Gravar o processo de unboxing, conferir números de série e testar imediatamente os componentes são medidas que podem ajudar em eventuais disputas, embora não garantam solução rápida. Em casos mais extremos, o estorno direto pela operadora do cartão de crédito pode ser a única alternativa para evitar prejuízos maiores.

Com a expectativa de que os preços de memórias DDR4 e DDR5 permaneçam elevados nos próximos anos, impulsionados pela demanda de IA, episódios como esses acendem um alerta: além de caro, o upgrade de hardware pode se tornar cada vez mais arriscado para o consumidor desatento.

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