A Polícia Civil do Estado de São Paulo instaurou um inquérito para investigar a plataforma de comunicação Discord, sob suspeita de permitir a disseminação de conteúdo violento, abusivo e ilegal, com foco em adolescentes. A medida foi tomada após a empresa ignorar um pedido emergencial para interromper uma transmissão ao vivo com cenas de extrema violência, incluindo estupro virtual e automutilação.
O caso veio à tona em 28 de março de 2025, quando o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da polícia paulista detectou, durante um monitoramento de rotina, um grupo organizado dentro da plataforma promovendo violência, além da comercialização de pornografia infantil. A situação foi considerada alarmante por autoridades de segurança digital e proteção à infância.
De acordo com a delegada Lisandréa Salvariego, responsável pelo Noad, o Discord foi notificado com caráter de urgência sobre a necessidade de derrubar a transmissão. No entanto, a plataforma não considerou o pedido como emergencial e não tomou providências imediatas.
“Trata-se de uma omissão grave. A resposta da empresa foi incompatível com a gravidade do conteúdo que estava sendo compartilhado”, afirmou a delegada.
A falta de cooperação resultou na abertura formal de um inquérito policial para apurar responsabilidades e investigar se o Discord agiu com negligência diante da disseminação de crimes virtuais dentro do seu ambiente.
Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) também atua no caso com uma força-tarefa destinada a identificar os autores das transmissões e demais participantes do grupo. O promotor Danilo Pugliesi, que acompanha a apuração, declarou que os crimes observados possuem nível de crueldade e sadismo sem precedentes.
“Estamos lidando com práticas extremamente perversas. O objetivo é não apenas punir os responsáveis, mas também compreender a estrutura por trás dessas redes de abuso”, explicou o promotor.
O Discord é uma plataforma de comunicação muito popular entre jovens e comunidades de gamers, permitindo o uso de chat de texto, voz e vídeo. Embora tenha ganhado notoriedade como um ambiente de socialização e troca de informações, a plataforma também tem sido apontada como espaço fértil para práticas criminosas, por conta da sua estrutura descentralizada e da dificuldade de moderação em tempo real.
Com mais de 150 milhões de usuários ativos mensais ao redor do mundo, o Discord vem enfrentando uma crescente pressão para fortalecer seus mecanismos de segurança e colaborar com autoridades locais em casos de conteúdo ilegal.




