O aumento do imposto de importação para mais de mil produtos, oficializado no início de fevereiro por meio da Resolução nº 852/2026 do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), atinge principalmente máquinas, equipamentos industriais e uma ampla cadeia de eletrônicos.
Segundo o Ministério da Fazenda, a medida busca reduzir a dependência externa — hoje estimada em cerca de 45% no segmento de máquinas e acima de 50% em informática e telecomunicações — além de estimular a indústria nacional e reforçar a arrecadação, com previsão de cerca de R$ 14 bilhões adicionais aos cofres públicos.
Entre os produtos eletrônicos afetados, as novas alíquotas previstas incluem:
Placa-mãe: 12,6%
Placa de vídeo (GPU): a partir de 12,6%
Processadores (CPU): a partir de 7,2%
Memória RAM estática (SRAM): 7,2%
Circuitos integrados do tipo chipset: 7,2%
Smartphones: 20%
Câmeras: 20%
Impressoras de tinta líquida: 12,6%
Mouse e trackball: 12,6%
Cartuchos de tinta: 7,2%
Cartuchos de revelador (toner): 7,2%
Mesas digitalizadoras: 12,6%
Cigarros eletrônicos: 12,6%
As novas tarifas incidem sobre produtos com fabricação nacional. Itens sem produção no Brasil permanecem com alíquota zero, mediante enquadramento em regimes específicos como o ex-tarifário. Há ainda prazo até 31 de março para pedidos de redução temporária nos casos contemplados anteriormente.
No caso dos celulares, o impacto divide opiniões. O governo afirma que aparelhos montados no país não devem sofrer aumento imediato. Especialistas, por outro lado, alertam que mesmo modelos fabricados localmente dependem de componentes importados, o que pode gerar pressão de custos no médio prazo.
Estimativas de mercado indicam que smartphones importados podem registrar aumento entre 15% e 20%, dependendo da estrutura de custos e da política comercial de cada fabricante. O efeito final sobre o consumidor dependerá também do câmbio, da absorção de margens pelas empresas e da dinâmica concorrencial.
A discussão segue polarizada entre a defesa da proteção à indústria nacional e a preocupação com possível encarecimento tecnológico e redução de competitividade.




