Um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ficou sem áudio no Instagram, gerando uma discussão sobre moderação de conteúdo e direitos autorais nas redes sociais. A publicação, intitulada “O Nordeste que foi esquecido”, reúne relatos de moradores da região sobre dificuldades econômicas e no acesso a serviços. De acordo com a Meta, responsável pelo Instagram, a remoção do som ocorreu após uma solicitação relacionada aos direitos autorais de uma música usada na gravação.
Por que o vídeo de Nikolas Ferreira ficou sem áudio?
Segundo informações divulgadas pelo UOL, a plataforma retirou o áudio do vídeo após uma reclamação relacionada à utilização de uma obra musical. A medida atingiu o som da publicação, incluindo trechos em que pessoas entrevistadas falavam.

O Instagram possui sistemas e procedimentos para lidar com reclamações de propriedade intelectual. Quando há uma reivindicação referente a uma trilha sonora, o conteúdo pode sofrer restrições de reprodução de áudio mesmo que tenha outras falas e sons misturados à gravação.
Deputado fala em censura e menciona cantor Rubel
Nikolas criticou publicamente a medida e alegou que ela teria silenciado também as vozes dos nordestinos presentes no material. O parlamentar atribuiu ao cantor Rubel a iniciativa que teria levado à restrição, relacionada à música “Grão de Areia”, parceria do artista com Xande de Pilares.
Essa identificação do responsável pela reclamação é uma alegação feita pelo deputado: na resposta divulgada à imprensa, a Meta confirmou a questão de direitos autorais, mas não informou quem realizou o pedido. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia confirmação independente sobre o autor da solicitação.
O que a Meta informou sobre a remoção?
A explicação apresentada pela empresa aponta uma reivindicação de direitos autorais sobre a música, não uma decisão anunciada de remover o áudio por causa das opiniões políticas expressas no vídeo. Isso não impede o debate público sobre o alcance e os efeitos da medida, mas são questões diferentes: a justificativa formal dada pela plataforma e a interpretação política feita pelo autor da postagem.
Vídeo ficou sem áudio após TSE cobrar relatórios sobre alcance de perfis
A retirada do áudio ocorreu em meio a decisões recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo a atuação das plataformas digitais na disputa presidencial. É importante distinguir o TSE do Supremo Tribunal Federal (STF): foi a Justiça Eleitoral que expediu as determinações citadas neste caso.
Em 19 de outubro, um dia antes das notícias sobre o vídeo silenciado, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que Nikolas Ferreira e Pablo Marçal não republicassem conteúdos cuja remoção já havia sido ordenada em seis processos. A decisão também exigiu que Meta e X impedissem impulsionamento pago dos conteúdos das contas dos dois e não dessem tratamento privilegiado à distribuição de propaganda eleitoral até o segundo turno. O alcance orgânico das publicações permaneceu permitido.
As empresas receberam prazo de 24 horas para preservar informações e esclarecer o alcance e as recomendações dos perfis. A ação foi apresentada por uma coligação adversária da candidatura de Flávio Bolsonaro e contém alegações de uso indevido das redes e de alcance atípico, incluindo um levantamento sobre visualizações de vídeos de Nikolas. O TSE ressaltou que o recebimento da ação não significa reconhecimento de irregularidades nem da responsabilidade dos investigados.
Separadamente, a Meta também prestou esclarecimentos à Justiça Eleitoral após questionamentos sobre possível tratamento desigual entre as campanhas presidenciais de Lula e Flávio Bolsonaro. A empresa afirmou adotar medidas para tratamento igualitário e negou favorecimento político nas plataformas.
Não há evidência pública de que a restrição de áudio aplicada ao vídeo sobre o Nordeste tenha sido ordenada pelo TSE ou esteja ligada a essas investigações. Embora os episódios tenham ocorrido em datas próximas e envolvam a mesma plataforma, a justificativa divulgada para a remoção do som segue sendo uma reivindicação relacionada a direitos autorais.
Como os direitos autorais afetam vídeos no Instagram?
Adicionar uma música à edição de um vídeo não garante, por si só, permissão para usá-la em qualquer contexto. As condições de licenciamento podem variar conforme a faixa, o país, a modalidade de publicação e os direitos de seus titulares.
Quando o áudio original de entrevistas e a música estão unidos em uma única trilha, uma restrição aplicada ao material sonoro pode impedir a audição de ambos. A possibilidade de recuperar o conteúdo depende das ferramentas disponibilizadas pela plataforma e da situação dos direitos da gravação.
O vídeo foi removido por completo?
As informações noticiadas nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, tratam da remoção do áudio, não da exclusão integral da postagem por parte do Instagram. Também não há, nas informações confirmadas até aqui, comprovação de que a medida tenha ocorrido por ordem de uma autoridade pública.
O episódio chama atenção para um problema recorrente na publicação de vídeos: uma reclamação sobre a trilha sonora pode afetar o entendimento de todo o conteúdo, especialmente quando o material traz depoimentos ou entrevistas.
Fontes
- UOL — Nikolas tem áudio removido em post sobre nordestinos e culpa cantor Rubel
- Câmara dos Deputados — perfil oficial de Nikolas Ferreira
- TSE — decisão de 19 de outubro de 2026 sobre Nikolas, Marçal e relatórios das plataformas
- Reuters — Meta presta esclarecimentos ao TSE sobre tratamento das campanhas
